2023.0003911 Bexiga neurogênica cateter hidrofílico - NATJUS TJMG
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Data
2024-02-20
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Resumo
Os cateteres para esvaziamento vesical podem ser constituídos
por diversos tipos de materiais como de PVC/plástico que é o mais
barato, possui grande diâmetro interno e apresenta rigidez correta para a
aplicação individual, porém pode causar alergias PEBA constituído de um
plástico livre de PVC, causando menos riscos de alergias e silicone é o
material mais biocompatível, com menos ricos de toxicidade, resistente à
água, a oxidação, estável à alta temperatura, é também resistente a
produtos químicos. Ainda podem ser não hidrofílicos ou hidrofílicos. A
despeito das variáveis de cada um, todos são indistintamente
indicados nesta condição por serem considerados seguros e eficazes.
Os não hidrofílicos são os mais utilizados na prática clínica, quer pela
disponibilidade, quer pelo baixo custo. Já os cateteres hidrofílicos
podem ser revestidos com PVP, ou outros polímeros, que absorvem
água na proporção de até 10 vezes o seu próprio peso. Expostos à
água, se tornam escorregadios, reduzindo o atrito entre a superfície do
cateter e a uretra durante a inserção. Sugere-se que o seu uso diminua
o risco de infecções urinárias e suas complicações, além de minimizar
o risco de lesões uretrais, com impacto positivo na qualidade de vida.
As evidências mostram um efeito sumário de diminuição de risco
relativo de infecções urinárias entre 16 e 19%, podendo variar entre
menos de 1% e 35%. Em relação ao trauma de uretra com hematúria
foram obtidos resultados conflitantes, já que apenas uma metaánalise
mostrou diferenças significativas entre os cateteres. Aspectos relativos
a qualidade de vida e satisfação dos pacientes, mostraram maior
satisfação e melhor qualidade de vida com o uso do cateter hidrofílico.
Assim, a escolha do tipo de cateter a ser utilizado trata-se de um
processo não urgência/emergencia, de caracter eletivo, podendo ser
discutida e avaliada de acordo com as condições do paciente, cuja a
demora não ocasiona sequelas ou lesões irreversíveis ou piora do quadro de saúde do paciente. O uso dos cateteres hidrofílicos é
apontado pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia como a
escolha para reduzir as complicações associadas ao cateterismo
intermitente, já que tem o objetivo de facilitar a técnica de CVI, melhorar
o conforto do usuário e reduz as complicações associadas ao CVI. Assim
como todos os tipo de cateteres são eficazes e seguros para realização
do CVI estão disponíveis no SUS, o SUS oferece programas de manejo
da bexiga neurogênico de acordo com a doença de base. Porém, vale
destacar, que em julho de 2019, a CONITEC, tornou pública a decisão de
incorporação do uso do cateter hidrofílico para cateterismo vesical
intermitente em indivíduos com lesão medular e bexiga neurogênico,
conforme estabelecido pelo Ministério da Saúde, após finalizar a consulta
pública, sem, entretanto, definir as fontes de custeio. As principais
justificativas para a concordância para tal incorporação foram menor
frequência de trauma, de dor ou ardência da uretra e de infecções do
trato urinário, melhora da qualidade de vida; manipulação mais fácil;
melhora da autonomia e menor frequência de lesão à uretra. Desta
forma, a SIGTAB especifica os procedimentos de cateterismo e não o
tipo de cateter a ser utilizado, deixando ao gestor local a escolha do
material utilizado na Atenção Primária à Saúde, na Atenção Domiciliar
e na internação hospitalar. Assim, apenas alguns municípios já
incorporaram o uso do cateter hidrofílico em pacientes com lesão
medular como o São Paulo e Distrito Federal, conforme critérios
definidos em protocolo.