NT 2024.0005509 Cirurgia para correção da Estenose uretra Gestão - NATJUS TJMG
Carregando...
Data
2024-04-29
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
A Estenose uretral é um estreitamento de um segmento da uretra,
que pode resultar em diminuição ou mesmo interrupção completa do
fluxo urinário, acarretando em uma série de complicações. Podem ter
origem idiopática, iatrogênica, inflamatória e traumática, sendo em
nosso meio, a principal causa de lesão uretral é o trauma iatrogênico
causado por procedimentos endourológicos, cirurgias prostáticas
convencionais e uso de sondas uretrais.
O diagnóstico deve ser suspeitado em paciente que apresentar
sintomas obstrutivos do trato urinário inferior e tenham uma história
pregressa de manipulação do trato urinário e queixas de jato urinário
fraco, sensação de micção incompleta e aumento da frequência
miccional. O estreitamento provoca dilatação da uretra proximal pelo
aumento da pressão no trato urinário acima da estenose, levando a sinais
de hipertrofia ou enfraquecimento da bexiga.
A localização precisa do local da estenose é capital para se
determinar o melhor tratamento a ser adotado. Os exames
complementares que auxiliam no diagnóstico e estadiamento da
estenose são: a fluxometria urinária e o estudo urodinâmico;
uretrocistografia miccional e retrograda; a cistoscopia.
A definição da técnica cirúrgica a ser utilizada deve levar em
conta a etiologia, a localização, a severidade, o comprimento da
estenose, os tratamentos prévios, as comorbidades, a presença de
líquen escleroso e a preferência do paciente. Como regra geral, para
realização de uretroplastia na estenose recorrente, os pacientes devem ser
referenciados para centros capacitados. Os tratamentos cirúrgicos são
geralmente necessários para a estenose obstrutiva da uretra. Ao pensar
no tratamento das estenoses de uretra, é obrigatório ter ciência que se
trata da abordagem de uma cicatriz e, para tal, os melhores resultados
são obtidos com a remoção completa deste tecido cicatricial, quando
possível, e anastomose boca a boca entre os segmentos sadios. Na
impossibilidade da remoção completa, pode-se lançar mão de técnicas
com a utilização de retalhos e/ou enxertos para substituição de grandes
segmentos uretrais, ureteroplastia autogena. O uso da cistostomia por
um período mínimo de 30 dias pré operatório é uma prática que deve ser
encorajada. A uretroplastia, ou a excisão do segmento estenótico da
uretra e anastomose com tecidos sadios e saudáveis, é considerada a
forma mais adequada e definitiva de tratamento das estenoses uretrais.
Pode ser realizada com anastomoses primárias ou com enxertos/retalhos de
tecidos, ureteroplastia autogena. Vários estudos comparando formas de
tratamento das estenoses de uretra até 2 cm, com a uretroplastia
convencional com anastomose termino-terminal, demonstram que o
realinhamento após a ressecção do segmento estenótico apresenta o melhor
resultado clínico, e menor taxa de recidiva no longo prazo, com índices
de sucesso de 90 a 95%. Casos em que o comprimento da estenose é >
1,5 cm podem necessitar de enxerto, para reconstituir a uretra,
anastomoses término terminal estendida com retalho de prepúcio. Nos
casos onde foi necessário a colocação de enxertos de mucosa oral,
estenose > 2,5 cm, tidos como mais graves e complexos de, o índice de
sucesso num prazo de 3 anos é de 88%, com índices de recorrência de
15%.
No SUS a uretroplastia está disponível, na Tabela SIGTAB, como
procedimento de média complexidade, para realização em unidades
especializadas. Desta forma, a responsabilidade de prover os fluxos
para a realização da cirurgia, cabe ao gestor local, não existindo
solicitação de procedimento diverso, não contemplado pelo SUS, que
requeira avaliação de indicação, imprescindibilidade, substituição ou
não pelo NATJUS, mas necessidade melhor articulação de fluxos,
competência esta, do gestor local, no caso o município de Montes
Claros, que é de gestão plena.